Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011
Cavaco, rosto do Portugal pouco competitivo e pouco recomendável
Cavaco é um verdadeiro português: cultiva a simplicidade, a humildade, a discrição relativamente a “assuntos de dinheiro”, fala da terra e dos avós com nostalgia, é pouco dado a viagens e estrangeirices, ampara amigos e família, tem orgulho no que a história escrita lhe diz que a raça fez, enaltece a maneira “especial” dos portugueses fazerem as coisas, é avesso ao conflito e à confrontação de ideias, não fala de futebol nem de política.Essa sua condição de síntese de uma portugalidade em vias de extinção ainda rende votos em determinados escalões etários. Por estas razões, o voto nestas eleições presidenciais é bem mais importante do que aparenta. Votar Cavaco é prolongar a portugalidade que quero superar. Votar Cavaco é reduzir o país à sua condição de periferia, de eterna nostalgia pelo passado e de provincianismo elevado a nacionalismo.As limitações que as condições económicas e sociais têm imposto à afirmação de uma dimensão moral superior do português não devem impedir-nos de exigir a quem nos representa a exemplaridade dessa desejável dimensão moral.Cavaco vive com o remorso de ter cedido à facilidade dos corredores do verdadeiro poder (o financeiro) entre 1996 e 2006. Não pode ignorá-lo e não devemos esquecer. Ainda tenho esperança que a boa moeda expulse a má moeda (a moeda da especulação, dos negócios entre amigos, da rentabilização de capital simbólico e político).
(Ad Confessionem)
Domingo, 18 de Julho de 2010
O discurso do ‘ataque ao Estado Social’
O gregarismo pseudo-socialista muito tem bolsado ‘Estado Social’. Este cheerleading partidário vem prejudicar, potencialmente de forma irremediável, um debate que se deveria pautar pela seriedade e que só irá conduzir ao mesmo rumo que o do desastre dos trabalhistas no Reino Unido. O caminho trilhado está a ser o mesmo, o fim não será diferente…
A verdade é que o PSD de Passos Coelho não é muito diferente do PSD de Manuela Ferreira Leite, de Durão Barroso ou de Cavaco Silva, destinado apenas à governação pela governação, num rumo sem ideologia alguma. Um exemplo claro à primeira vista é a defesa das deduções fiscais. Nenhum partido verdadeiramente liberal as defenderia. Defenderia sim, a simplificação fiscal e, eventualmente a regressividade dos impostos ou uma flat tax. Outro exemplo é a proposta de alteração constitucional. Qualquer verdadeiro liberal não hesitaria em colocar barreiras à acção do governo, mas não para dar mais poderes a outro órgão de soberania, neste caso ao Presidente da República.
Alguns dos pretensos liberais de Passos Coelho, todos eles paladinos da liberdade, são os mesmos que advogam a extinção dos sindicatos, culpando-os de prejudicarem as relações laborais entre entidades empregadoras e trabalhadores, impedindo assim o direito à liberdade da livre associação. Os liberais de Passos Coelho são os que advogam toda uma reestruturação constitucional sem avançar, como se esperaria de liberais, com o direito individual à participação directa da sociedade civil nos órgãos de soberania, entre os quais no Parlamento. Preferem assim, sob a capa liberal-ocasional, manter a via monopolista dos partidos. Como se pode optar pela via do simplório ataque ‘neoliberal para aqui e para acolá’, quando este PPD/PSD é o mesmo de outros tempos, que para qualquer problema, a solução é legislar?
O PS não pode cair no mesmo erro que o Labour inglês, afirmando-se contraditoriamente como centro-esquerda e agindo como centro-direita. O PS não pode cair no mesmo erro que o Labour inglês, atacando o maior partido da oposição de ter uma agenda liberal, quando a agenda do PSD é apenas a da governação ao sabor da maré para favorecer uma elite económico-financeira. O PSD não tem uma agenda liberal, tem sim uma clara vontade de estabelecer uma minarquia elitista. É isso que o PS (não o de Sócrates) tem que explicar aos portugueses.
(Aqui: Statu Quo)
Terça-feira, 22 de Junho de 2010
O vazio de um povo
Portugal venceu os coreanos setentrionais por 7-0. O país está de novo em alvoroço, respira novamente confiança e a cada esquina há um sentimento de fraternidade e solidariedade nacional. Tem tanto de bonito como de deprimente. Não entro no discurso da diabolização futebolística, pelo menos desta feita, o futebol tem este condão de, quanto mais não seja, nos revelar o quão vazio é um povo que a única memória colectiva histórica se cinge a apenas isto...
Sexta-feira, 18 de Junho de 2010
Canalhice incatalogável

Grupo Parlamentar do PSD dixit: "levem o martelo, que o saramago foice... (via twitter)
Quinta-feira, 17 de Junho de 2010
Da triste confortabilidade do politicamente correcto
Não sei se me preocupa ou se me dá pena ou asco quando leio, ouço ou me dizem que gostam de fazer política ou apenas ajudar de forma desinteressada. O pseudo-moralismo maniqueísta buscando a aprovação social do sempre confortável “politicamente correcto” é algo que sempre me provocou muita confusão. Quem busca fazer a diferença positiva fá-lo com todo o prazer e interesse e, se com mérito alcançar maior poder decisório, tanto melhor, para os outros e para si porque o melhor para si é o melhor para os outros. Claro, humanisticamente falando…
Quarta-feira, 16 de Junho de 2010
Evolução da dominância político-partidária nos países da UE-27 (II)
Não será certamente o primeiro pormenor, mas se combinarmos este gráfico com os dados do Eurostat referentes ao défice público (em percentagem do PIB) dos países da EU-27, chegamos à conclusão que os países de centro-direita são os principais responsáveis pelo estado desconcertante das contas públicas. Esta é uma simples e demonstrativa análise que qualquer comum mortal poderá fazer desmistificando o discurso acusatório da ala liberal da "praça pública". É claro que, por questões de seriedade política, é importante atentar que não se pode imputar, aos Tories no Reino Unido, a culpa dos -11,5%, tal como não se pode imputar ao PASOK - Partido Socialista Grego - na Grécia (-13,6%), ao PSD - Partido Socialista Romeno - na Roménia (-8,3%), ao SD - Partido Socialista Esloveno - na Eslovénia (-5,5%) e ao CSSD - Partido Socialista Checo - na República Checa (-5,9%), visto estarem há um tempo demasiado escasso na governação dos seus países para colocarem o défice nesses níveis preocupantes. Já na República de Irlanda, o país na EU-27 com maior défice público e em países como a Estónia, Lituânia, Polónia, Bélgica e República Checa e os supracitados, as culpas recaem em prolongados governos de centro-direita. É cristalino...
Terça-feira, 15 de Junho de 2010
Evolução da dominância político-partidária nos países da UE-27 (I)

Edição: Na Roménia apesar do PSD (S&D) terem sido mais votados, só o terceiro partido mais votado - o PNL - conseguiu formar governo.
Esta é uma tabela para a qual importa reflectir seriamente. Reservarei, comentários para os próximos dias…
Domingo, 13 de Junho de 2010
Os "orgasmos" da direita perante a fragmentação belga e europeia

Os separatistas conservadores do partido NVA (Nova Aliança Flamenga) terão vencido as eleições na Bélgica. O conjugar dos resultados deixam a antever uma possível fragmentação do território, a menos que haja uma intervenção consertada a nível Europeu.
A direita portuguesa apressou-se a "soltar vivas" perante os resultados. Assim, tem sido, sempre que há alterações políticas, num país europeu, que podem colocar em jogo toda a coesão europeia. A irresponsabilidade tem sido o apanágio desta direita. É que primeiro é Flandres, depois o País Basco, a Catalunha, a Escócia e a Ossétia do Sul. Seguir-se-iam Córsega e grande parte dos separatistas de leste. Com jeitinho a Galiza e a Bretanha... Enfim, uma Europa completamente desmoronada por meros caprichos ideológicos da época medieval.
Terça-feira, 1 de Junho de 2010
Hipocrisias legislativas (1)
É necessário rever, com coragem, a legislação que regula os gabinetes ministeriais. Para racionalizar, para moralizar. Está tão desactualizada que gerou perversidades e manipulações permitindo a cada cabeça diferente sentença. Essa fraqueza tem beneficiado os oportunistas e prejudicado os cumpridores. A base é de 1988. Há gabinetes que se substituem à alta administração pública: nalguns casos por necessidade, noutros por falta de sentido de Estado.
Segunda-feira, 31 de Maio de 2010
Brainstorming de Políticas Públicas para Portugal

Trinta e três (33) ideias prementes, não muito aprofundadas, que me vêm assim à memória…
- “Caminhar” para uma “Ibéria” coesa a todos os níveis - político, económico-financeiro e sócio-cultural – como primeiro passo para uma Europa Federal.
- A bem da democracia e da equidade ideológica, abolir o ponto 4 do Artigo 46.º e a alínea d) do ponto 1 do Artigo 160.º da CRP que proíbe a expressão de índole fascista.
- Extinção do cargo de Presidente da República. Mais que nunca, viu-se durante este mandato presidencial, a inutilidade de um cargo meramente representativo. Cavaco, um Presidente da República ultra-conservador, viu no seu mandato avançar duas importantes matérias fracturantes – lei da interrupção voluntária da gravidez e lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo -, sem falar da revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores que foi obrigado a promulgar, apesar do Tribunal Constitucional, mais tarde, ter considerado certas normas inconstitucionais. Com esta medida, poderia ser fortalecido o papel do Parlamento e da população (através de referendos), qualificando, assim, a democracia e abolindo todo o aparelho presidencial que nos sobrecarrega as finanças públicas.
- Revisão do sistema eleitoral, mantendo o número de deputados, mas abrindo a Assembleia da República a candidaturas de independentes num sistema misto – uninominal e plurinominal – e desenvolvendo-se um estudo sobre a importância/necessidade (ou não) de um sistema bicameral.
- Reformulação do mapa administrativo português com uma redução drástica do número de Câmara Municipais e Juntas de Freguesia. Já tenho avançado com esta ideia há algum tempo e Henrique Raposo tocou com o dedo na ferida. Temos Câmaras Municipais (308) e Juntas de Freguesia (4251) a mais. Como se não bastasse, a Regionalização está aí, mesmo que ninguém saiba os seus moldes, a não ser o chavão gasto de combater o centralismo lisboeta. As dívidas das autarquias ultrapassam 7 mil milhões de euros. A despesa ultrapassa a capacidade de pagamento em 30%, 51% não cumpre os prazos exigidos, a independência de empréstimos é alta, os custos com pessoal crescentes e empresas municipais albergam administradores a mais (2 mil). O Distrito de Aveiro com 40% da população do Distrito do Porto e com uma área aproximada tem mais um município. Braga, Coimbra, Leiria e Viseu têm notoriamente municípios em excesso abusivo. Ao nível das freguesias, destaque-se o município de Barcelos tem 89 freguesias mas há mais exemplos calamitosos.
- Avaliação profunda da actuação económica e social das empresas e institutos públicos. Supressão de todas as empresas sem qualquer rentabilidade económica e de institutos inertes e que são substituíveis pelos privados sem prejuízo social.
- Não estabelecer trocas comerciais nem cooperar institucionalmente com países que atentem contra os “valores primitivos” do direito humano.
- Desenvolver esforços em sede europeia, para uma taxação sobre transacções financeiras, como vem sendo advogada por diversos economistas Keynesianos, na ordem dos 0,05%.
- Aumentar a simplificação do sistema fiscal, sem deixar cair os pilares da taxação progressiva e da assistência social enquanto motor de equidade na oportunidade.
- No âmbito do ponto 9: acabar com as deduções de benefícios fiscais ao nível da educação dado que favorece quem tem mais posses e, tendencialmente, usar o sistema de subsídio para os sectores de menor presença estatal. Seria ainda importante, a curto prazo, uma fusão do 1º e 2º escalão de IRS e do 5º e 6º e, ainda, uma diferenciação entre os valores do 4º escalão, onde engloba duas classes médias claramente “distintas”.
- No âmbito do ponto 9: aumentar ligeiramente o limite máximo da matéria colectável na taxa de IRC de 12,5% e aumentar a taxa efectiva de IRC sobre a banca.
- Acabar com o off-shore da Madeira que tem estatuto especial até o fim de 2013, por uma questão de equidade e solidariedade nacional.
- Redução do IVA sobre bens de primeira necessidade e clarificação das incongruências existentes entre bens similares.
- Caminhar para a liberalização dos planos de estudos do Ensino Superior, aumentando o número de créditos ECTS livres em cada curso.
- Dar a possibilidade para que actividades de voluntariado, associativas, cívicas ou similares possam ter créditos ECTS definidos pelas respectivas instituições de ensino. Esta medida incentivaria para práticas de cidadania e de desenvolvimento pessoal do próprio estudante, que seriam fulcrais no mercado de trabalho, que valoriza crescentemente o saber-fazer e saber-pensar ao invés do saber-saber.
- No sentido de promover a educação e a vocação para o empreendedorismo, é fundamental criar um estatuto e regime jurídico próprios para empresas júniores, enquadradas no seio universitário.
- Reorientar a investigação científica universitária para investigação não académica e com aplicação empresarial. Algumas faculdades portuguesas estão presas ao modo primário de investigação. A investigação puramente teórica e utópica, apenas com suporte estatal e sectariamente afastada de outros clusters universitários ou empresariais. As Universidades em concertação com a administração central devem limitar este tipo de investigação, canalizando os bolseiros para actividades de investigação com potencial produtivo.
- Uma forte regulação da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior sob os cursos administrados no sector privado, como garantia de transparência e de garante da qualidade do ensino.
- Redesenhar do “parque” académico português, gerindo assim melhor a alocação de recursos e alinhando a oferta formativa pela identidade sócio-cultural e económica da região respeitante.
- Apostar numa oferta formativa em inglês, desde as licenciaturas, e numa disponibilização mais alargada de cursos em regime pós-laboral.
- Revogação do Regime de Prescrições, agravando, todavia, o pagamento de propina por parte do estudante sem comprovação de préstimos académicos qualitativos.
- A reformulação do recém criado Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior, pautando-se pela democratização da representatividade estudantil impõe-se, independentemente, dos transtornos burocráticos e temporais do processo.
- Os critérios de atribuição das bolsas de acção social escolar devem estar associados ao escalão de IRS, desburocratizando o sistema vigente.
- Alargamento do passe de transportes sub23 para todos os estudantes do ensino superior, como factor de acção social e de sustentabilidade ambiental.
- Criação de uma Universidade Ibérica, de vertente tecnológica, como factor de cooperação e afirmação do sudoeste europeu.
- Acabar com o subsídio de 200€ de suposto apoio à natalidade pela insipiência do mesmo.
- Integração nas diversas disciplinas do ensino básico, de matérias que clarifiquem o espectro político, a actividade política e as actividades promotoras de cidadania e de solidariedade social.
- Reforço e uniformização do dispositivo policial. É de capital importância, um reforço do dispositivo policial e a integração da Guarda Nacional Republicana na Polícia de Segurança Pública, acompanhada de uma completa reformulação das suas estruturas: renovação de esquadras, readaptação dos uniformes e meios de dissuasão, contratualização com privados para uma prática desportiva continua, reformulação dos métodos de avaliação e redução para um mês do tempo de pagamento dos serviços remunerados.
- Aumento da pena máxima de prisão para 50 anos.
- Revisão do ponto Artigo 157.º, que confere imunidades aos deputados.
- Replaneamento das políticas de urbanismo, apostando em cidades modernamente inclusivas. Neste sentido, é premente acabar progressivamente com todos os bairros sociais existentes, integrando as famílias dos respectivos fogos em diferentes localidades da mesma região.
- Liberalização e Legalização, com respectiva aplicação de impostos, sobre as drogas leves como haxixe e cannabis.
- Liberalização e Legalização da venda de serviços sexuais e proibição da sua compra, à semelhança do exemplo sueco, que consegue assim, com transparência e pragmatismo, combater o proxenetismo e exploração da mulher.
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Também aqui: Statu Quo